A coprofagia é o hábito de o cão ingerir fezes próprias ou de outros animais, sinalizando muitas vezes uma patologia oculta. Esse costume geralmente se baseia em três pilares: fatores biológicos, como deficiências nutricionais; questões comportamentais, envolvendo ansiedade; ou falhas no manejo ambiental.
É fundamental investigar se o ato é apenas um desvio de conduta ou sintoma de uma doença digestiva, ou metabólica que exige tratamento médico. Compreender essas causas é o passo essencial para garantir a saúde canina em dia e impedir que você continue vendo seu cachorro comendo cocô no dia a dia.
Você sabia que muitos tutores cometem um erro clássico ao tentar corrigir esse hábito, acabando por agravá-lo sem querer? Continue a leitura para descobrir quais são essas falhas comuns e aprenda o que fazer para evitá-las, garantindo que seu aumigo pare de comer fezes de uma vez por todas.
Principais causas de Coprofagia: alimentação, ambiente e saúde
As razões para a coprofagia variam de caso a caso. Entender o contexto do seu pet é fundamental:

Carência nutricional: se a ração não supre as necessidades ou o cão não absorve nutrientes, busca nas fezes uma fonte complementar;
Tédio e estresse: cães sozinhos ou em ambientes sem enriquecimento ambiental podem comer fezes para passar o tempo ou aliviar a ansiedade;
Busca por atenção: tutor reage imediatamente (mesmo que seja com uma bronca). Para ele, qualquer atenção é válida.
Problemas médicos: verminoses, diabetes canina ou insuficiência pancreática podem estar por trás do hábito.
Os riscos da coprofagia para a saúde do seu pet
Ter um cachorro comendo cocô é mais do que um hábito desagradável; é um risco real à saúde. Essa prática facilita a transmissão de parasitas, como vermes e protozoários, além de vírus perigosos, como a cinomose, que se disseminam rapidamente pelo organismo e provocam doenças sérias.
Além disso, o comportamento pode provocar infecções bacterianas graves e gastroenterites devido à ingestão de microrganismos nocivos. Outro perigo relevante é a contaminação cruzada: após o ato, o cão pode lamber os moradores da casa, espalhando agentes patogênicos pelo ambiente familiar.
Portanto, tratar a coprofagia é fundamental para evitar doenças e garantir a segurança de todos. Manter a vermifugação em dia e a higiene rigorosa do local são passos essenciais para proteger seu pet e sua família desses riscos biológicos invisíveis, mas perigosos.
Como identificar a causa no seu cachorro
Para resolver a coprofagia, faça uma análise da rotina do seu pet respondendo a estas perguntas:
Houve mudança recente na marca ou quantidade da ração?
O nível de atividade física (passeios e brincadeiras ao ar livre) diminuiu?

O cão apresenta sinais de apatia, vômitos ou perda de peso?
As fezes são recolhidas rapidamente ou ficam expostas por muito tempo?
Dica: se o comportamento for repentino e acompanhado de sintomas físicos, a visita ao veterinário é urgente.
Passo a passo para resolver a coprofagia
Lidar com a coprofagia (o hábito de comer fezes) pode ser um desafio e tanto, mas a sua abordagem está corretíssima: foco em prevenção e manejo, nunca em punição:
Enriquecimento ambiental: ofereça brinquedos recheáveis e desafios mentais para combater o tédio e manter o animal estimulado;
Comandos de controle: utilize comandos como “deixa” ou “não” para interromper o interesse do cão pelas fezes durante os passeios;
Ausência de punição: evite broncas e castigos, pois o medo pode levar o animal a comer as fezes apenas para “esconder as provas”, o que agrava o comportamento;
Paciência e consistência: entenda que a correção desse hábito exige tempo e uma rotina disciplinada por parte do tutor.
Dica extra: às vezes, esse comportamento pode estar ligado a deficiências nutricionais ou problemas de absorção.
Dicas de especialistas: melhore a alimentação
Muitas vezes, a solução para o cachorro comendo cocô está na tigela de comida.
Alimentação vegana: ajuda na saciedade e na saúde da flora intestinal; [1]
Rações premium: investir em alimentos de alta digestibilidade reduz o volume de resíduos nas fezes, tornando-as menos “atrativas”;
Suplementos específicos: existem produtos que, quando ingeridos, deixam o sabor das fezes extremamente desagradável para o cão.
Higiene e bem-estar: o papel do ambiente
Manter um ambiente higienizado é a estratégia mais eficaz para combater o hábito do cachorro de comer fezes. O uso de desinfetantes enzimáticos é indispensável, pois eles eliminam o odor completamente, em vez de apenas o mascarar, reduzindo o interesse do animal pelo local.
Complementando esse cuidado, a escolha de camas pet impermeáveis surge como um grande aliado na manutenção da limpeza. Por não permitirem a absorção de líquidos ou odores, pois impedem que o cheiro de resíduos fique impregnado onde o cão descansa, facilitando a higienização constante.
Essa combinação de limpeza profunda e acessórios práticos ajuda a manter o ambiente neutro e saudável, desestimulando comportamentos indesejados e promovendo o bem-estar total do seu animal de estimação.
Quando procurar um especialista?
Se dieta, higiene e exercícios falharam, o hábito pode ser coprofagia crônica ou um distúrbio comportamental profundo.
Nesses casos, a persistência do quadro exige uma investigação clínica e psicológica rigorosa, pois o comportamento já está enraizado, demandando suporte especializado para identificar causas metabólicas ou emocionais que mantêm o ciclo vicioso.

O comportamento do seu pet pode revelar muito mais
A intervenção de especialistas em comportamento é vital para criar protocolos que eliminem o interesse pelas fezes. No entanto, o comportamento animal é um comunicador universal: assim como a coprofagia, ações repetitivas são gritos silenciosos por ajuda.
Muitas vezes, o que parece apenas um “vício” esconde patologias graves. Um cão que balança a cabeça ou coça a orelha insistentemente, por exemplo, não apresenta apenas uma coceira passageira; ele manifesta sinais clássicos de otite canina. Ignorar essas mudanças pode transformar um pequeno incômodo em uma infecção severa e dolorosa.
Confira em nosso blog quais comportamentos do seu aumigão sinalizam a otite canina e aprenda como agir ao identificar os primeiros sintomas.
Referência bibliográfica
[1] Roberts, L. J., Oba, P. M., & Swanson, K. S. (2023). Apparent total tract macronutrient digestibility of mildly cooked human-grade vegan dog foods and their effects on the blood metabolites and fecal characteristics, microbiota, and metabolites of adult dogs. Journal of Animal Science, 101. https://doi.org/10.1093/jas/skad093



