Existem quase 900 tipos de carrapatos no planeta, e embora sejam na maioria das vezes minúsculos, representam uma ameaça global. Você sabe quais deles podem estar à espreita no seu quintal ou em áreas de lazer?
Conhecer as diferentes espécies é a primeira linha de defesa contra as doenças que esses aracnídeos transmitem, protegendo sua família e seus animais. Sabendo que a saúde animal é uma preocupação primordial para a Líder da Matilha, neste guia, abordaremos algumas espécies e as mais comuns em pets, focando nos carrapatos de cachorro.
Quer descobrir as características de cada um para agir com precisão? Continue a leitura!
Classificação geral: duros e moles
Os carrapatos são geralmente divididos em dois grandes grupos morfológicos:
Carrapatos duros (família Ixodidae)
São os mais comuns de se encontrar. Possuem um escudo dorsal (scutum) rígido que lhes confere resistência. São predominantes em ambientes externos e parasitam uma ampla gama de mamíferos, incluindo cães, cavalos e bois.

Carrapatos moles (família Argasidae)
Não possuem o escudo rígido, apresentando uma aparência mais enrugada. São menos visíveis, frequentemente encontrados em ninhos de aves, abrigos de roedores e até em frestas de habitações humanas.
Espécies mais relevantes no Brasil
No Brasil, quatro espécies merecem atenção especial pelo seu impacto. Veja na tabela comparativa as espécies e suas respectivas características e riscos:
Espécie | Características | Onde é encontrado | Principais riscos |
Carrapato-estrela | Carrapato robusto, duro e com manchas claras nas fêmeas que lembram uma estrela. | Comum em áreas rurais, matas, pastagens, parques e trilhas, parasitando cavalos e capivaras. | Vetor da grave febre maculosa em humanos e cães. |
Carrapato-de-boi | Carrapato duro, pequeno, de cor marrom-avermelhada. Fêmeas ingurgitadas tornam-se arredondadas. | Principalmente em gado bovino, mas pode parasitar cavalos em áreas rurais. | Causa prejuízo econômico significativo na pecuária e debilita o gado. |
Carrapato-de-galinha | Carrapato mole, com corpo achatado e enrugado (lembra uma passa), de coloração escura (marrom a cinza). | Ninhos, poleiros e frestas onde aves domésticas (galinhas) descansam. | Especializado em aves, causa anemia e estresse nas galinhas. |
Carrapato vermelho do cão | Carrapato duro, marrom-avermelhado, com corpo oval. | Residências (frestas, rodapés), canis, parasitando cães. | Transmissor da erliquiose e babesiose canina, doenças sérias para os cães. |
Principais tipos de carrapato em cachorros
No Brasil, os dois tipos de carrapato mais comuns em cachorros são o carrapato-vermelho-do-cão (Rhipicephalus sanguineus) e o carrapato-estrela (Amblyomma sculptum/cajennense). Ambos causam preocupação, mas possuem características e hábitos distintos:
O carrapato-vermelho-do-cão é frequente em áreas urbanas, adaptando-se bem à vida doméstica;
O carrapato-estrela, por outro lado, prefere regiões rurais, matas e trilhas, sendo comum em ambientes com vegetação alta.
Compreender onde cada espécie se encontra e como elas agem é fundamental para montar uma estratégia eficaz de prevenção de parasitas em cães.

Carrapato-vermelho-do-cão: conheça o vilão mais comum nas cidades
O carrapato-vermelho-do-cão é um velho conhecido dos tutores urbanos. Esse parasita tem cor marrom-avermelhada e, ao se alimentar, incha e fica com formato de bolinha. Gosta de se esconder em locais secos e protegidos, como frestas, casinhas, almofadas e até mesmo carros.
O perigo está na transmissão de doenças como erliquiose e babesiose, responsáveis por quadros sérios nos cães. Após passeios, é fundamental examinar o corpo do bichinho, principalmente em regiões onde o contato com outros animais é maior. A inspeção frequente permite identificar o parasita logo no início e agir antes que doenças se instalem.
Se o cão anda muito agitado, pode ser sinal de incômodo causado por picadas ou coceira — mais um motivo para manter a atenção redobrada na prevenção e no controle de parasitas.
Carrapato-estrela: perigo em matas e ambientes rurais
O carrapato-estrela é facilmente reconhecido pelas manchas claras no dorso, formando desenhos que lembram pequenas estrelas. Mais comum em áreas rurais, chácaras e trilhas, ele representa um risco elevado para cães e humanos pela transmissão da febre maculosa.
Tutores que gostam de levar seus peludos para atividades ao ar livre devem redobrar a atenção e a prevenção, especialmente nas estações mais quentes. Sempre faça uma inspeção minuciosa após caminhadas em matas ou regiões de vegetação alta, pois o contato com o carrapato-estrela pode ser fatal se não houver intervenção rápida e tratamento adequado.
Como diferenciar carrapato-vermelho-do-cão e carrapato-estrela
Diferenciar as espécies é uma habilidade importante para todo tutor. Atente-se aos seguintes pontos:
O carrapato-vermelho é menor, arredondado, com coloração marrom-avermelhada e prefere ambientes secos e protegidos;
O carrapato-estrela é mais robusto, apresenta manchas claras em formato de estrela e gosta de áreas úmidas e vegetação.
Ao observar o ambiente e as características físicas do parasita, o tutor consegue agir imediatamente, evitando problemas maiores.

Por que o carrapato bolinha chama atenção dos tutores
O famoso “carrapato bolinha” é aquele já alimentado, cheio de sangue do cãozinho, ficando inchado e mais visível. Muitos tutores só percebem o parasita nessa fase, mas o ideal é agir antes: carrapatos pequenos também transmitem doenças e são mais fáceis de remover.
Mesmo inchado, o carrapato pode liberar agentes infecciosos no organismo do animalzinho. Por isso, inspecionar regularmente o peludo é uma atitude preventiva e inteligente.
Doenças transmitidas pelos carrapatos: um alerta para tutores
Os carrapatos são responsáveis por transmitir doenças graves, como a erliquiose e babesiose, conhecidas popularmente como doença do carrapato. Elas são associadas principalmente ao carrapato-vermelho-do-cão e a febre maculosa, transmitida pelo carrapato-estrela.
Sintomas como alta temperatura corporal, apatia, perda de apetite, manchas ou feridas na pele são sinais de alerta que exigem atenção imediata. O diagnóstico precoce dessas infecções é essencial não só para salvar a vida do seu filho de quatro patas, mas também para proteger a família humana de riscos à saúde.
Controle ambiental: como evitar infestação no lar do seu cãozinho
O controle ambiental é fundamental para afastar carrapatos do lar do seu peludo, pois a maior parte da população de parasitas vive no ambiente, e não no animal.
Algumas ações práticas essenciais incluem: aspirar frequentemente sofás, camas e todos os cantos onde o cãozinho costuma ficar; lavar com regularidade mantas, caminhas e coleiras; e utilizar produtos antiparasitários específicos para o ambiente, sempre recomendados por um médico veterinário.
Se você notar uma infestação intensa, deve considerar dedetizar o ambiente com produtos pet-friendly. Nesses casos, siga rigorosamente todas as orientações do especialista para garantir o retorno seguro do animalzinho ao lar após o tratamento químico.
Como fazer a inspeção correta no seu cãozinho
A inspeção regular é uma rotina indispensável para tutores comprometidos com a prevenção de parasitas, ainda mais após atividades ao ar livre com seu aumigo. Os carrapatos preferem locais como:
Base das orelhas;
Axilas;
Entre os dedos;
Pescoço;
Barriga e parte inferior do corpo.
Usar um pente fino para pulgas pode facilitar muito a detecção, especialmente em cães com pelos longos. Encontrou um carrapato? Não tente retirar à força ou esmagar o parasita. O ideal é buscar orientação veterinária para uma remoção adequada e segura.
Achei um carrapato no meu pet e agora?
A remoção correta é essencial para evitar infecções e garantir que partes da boca do carrapato não fiquem presas. Quer saber o passo a passo seguro de como tirar carrapato do cachorro e o que fazer imediatamente após a remoção? Confira no próximo post e vamos juntos a favor do bem-estar do seu aumigo!


